Empirismo
O iniciador do empirismo é Francis Bacon. Enalteceu ele a experiência e o método dedutivo de tal modo, que o transcendente e a razão acabam por desaparecer na sombra. Falta-lhe, no entanto, a consciência crítica do empirismo, que foram aos poucos conquistando os seus sucessores e discípulos até Hume. Ademais, Bacon continua afirmando - mais ou menos logicamente - o mundo transcendente e cristão; antes, continua a considerar a filosofia como esclarecedora da essência da realidade, das formas, sustentáculo e causa dos fenômenos sensíveis. É uma posição filosófica que apela para a metafísica tradicional, grega e escolástica, aristotélica e tomista. Entretanto, acontece em Bacon o que aconteceu a muitos pensadores da Renascença, e o que acontecerá a muitos outros pensadores do empirismo e do racionalismo: isto é, a metafísica tradicional persiste neles todos histórica e praticamente ao lado da nova filosofia, tanto mais quanto esta é menos elaborada, acabada e consciente de si mesma.
Leia mais: http://www.mundodosfilosofos.com.br/bacon.htm#ixzz1urCz3Fr1
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Para Locke quando nascemos somos como uma folha em
branco
O empirismo é a
escola do pensamento filosófico relacionada à teoria do conhecimento, que pensa estar na experiência a origem de
todas as ideias. O nome empirismo vem do latim: empiria (experiência) e -ismo
(sufixo que determina, entre outras coisas, uma corrente filosófica). Temos,
assim, a “corrente filosófica da experiência”.
Ao longo de toda a
história da filosofia, diversos pensadores abordaram a questão, dando
importância ao conhecimento da experiência (da sensibilidade) ao invés de
apenas ao intelectual. Entretanto, o principal defensor do empirismo foi John
Locke (1632-1704), filósofo inglês. O empirismo defendido ficou conhecido como
empirismo britânico, e influenciou diversos filósofos.
Locke defendeu que a
experiência forma as ideias em nossa mente, no seu livro Ensaio acerca do entendimento humano, de
1690. Na introdução, ele escreve que “só a experiência preenche o espírito com
ideias”. Para argumentar a favor, Locke critica o conceito de que já existem
ideias em nossa mente (ideias inatas). Ele procura demonstrar que qualquer
ideia que temos não nasce conosco, mas se inicia na experiência.
A experiência, para
Locke, não são as experiências de vida. Experiência para ele são as nossas
sensações (sentidos). Ouvimos, enxergamos, tocamos, saboreamos e cheiramos.
Cada um dos cinco sentidos leva informações para o nosso cérebro. Quando
nascemos não sabemos o que é uma maçã, mas formamos a ideia de maçã a partir
dos sentidos. Vemos a sua cor, sentimos o seu aroma, tocamos sua casca e mordemos
a fruta. Cada uma dessas sensações simples nos faz ter a ideia de maçã. A
partir da sensação, há a reflexão. Dessa forma, nossas ideias são um reflexo
daquilo que nossos sentidos perceberam do mundo.
Com essa constatação,
Locke afirma que, ao nascermos, somos como uma folha em branco. São, então, os
sentidos responsáveis pelo preenchimento dessa folha.
Para confirmar sua
teoria, o filósofo inglês antecipa futuras críticas. Entre as possibilidades de
crítica, existe o argumento de que somos capazes de ter ideias de coisas que
nunca foram percebidas pelos nossos sentidos. Locke argumenta contra este tipo
de crítica, pois mesmo ideias de seres mitológicos como sereias, unicórnios e
faunos são apenas junções de ideias que já tivemos anteriormente. Uma sereia é
a união da ideia de mulher e peixe. Um unicórnio é a união da ideia de cavalo
com a de chifre. Um fauno é a mistura de homem com bode. Não há nada nessas
ideias que não tenha sido conhecida previamente. Até mesmo a ideia recente de
alienígenas nada mais é do que a ideia de um homem deformado (com cabeça e
olhos maiores, corpo pequeno etc.)
Depois de Locke, o
empirismo britânico conheceu a reformulação feita pelo irlandês George Berkeley
(1685-1753). Para ele, o que conhecemos do mundo não é realmente o que o mundo
é. O mundo não é o que percebemos dele. Podemos perceber o mundo através dos
sentidos, mas não conhecê-lo de verdade.
Mais radical do que o
empirismo de Berkeley está o que pensou David Hume (1711-1776), natural de
Edimburgo, Escócia. De acordo com Hume, só existe o que percebemos. Todas as
relações que fazemos entre o que conhecemos não são conhecimentos verdadeiros.
Podemos conhecer uma bola e podemos conhecer um pé, porém se chutamos uma bola
não há nada que confirme que a bola se move porque foi o pé que a moveu. Com
isto, Hume critica as ciências, pois trabalham com a ideia de causa e efeito.
Essa relação de causalidade (causa-efeito) é uma relação entre ideias e é,
portanto, não verdadeira. Tudo o que pensamos ser verdadeiro, como a causa do
movimento da bola, é imaginação.
Se o que sabemos vem
da experiência e a experiência apenas nos informa um pouco sobre como o mundo
é, precisamos, de acordo com o empirismo, estar atentos e críticos às falsas
ideias que não podem ser verificadas pelos sentidos.
Fonte: Filipe Rangel Celeti
Colaborador Mundo Educação
Bacharel
em Filosofia pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie - SP
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela
Universidade Presbiteriana Mackenzie - SP
Colaborador Mundo Educação
De acordo com Hume, só existe o que percebemos. Todas as relações que fazemos entre o que conhecemos não são conhecimentos verdadeiros. Podemos conhecer uma bola e podemos conhecer um pé, porém se chutamos uma bola não há nada que confirme que a bola se move porque foi o pé que a moveu. Com isto, Hume critica as ciências, pois trabalham com a ideia de causa e efeito. Essa relação de causalidade (causa-efeito) é uma relação entre ideias e é, portanto, não verdadeira. Tudo o que pensamos ser verdadeiro, como a causa do movimento da bola, é imaginação.
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