segunda-feira, 14 de maio de 2012



DESCARTES (1596-1650)
-Sendo um racionalista convicto, Descartes procurou combater os cépticos e reabilitar a razão.
-Os cépticos duvidavam ou negavam mesmo que a razão pudesse conduzir ao conhecimento.
-Descartes vai procurar demonstrar que a razão é a origem do conhecimento humano.



O RACIONALISMO
-O Racionalismo é uma corrente que defende que a origem do conhecimento é a razão.
-Os racionalistas acreditam que só a razão pode levar a um conhecimento rigoroso.
-Os racionalistas desvalorizam os sentidos e a experiência devido à sua falta de rigor.
-Os racionalistas possuem uma visão optimista da razão porque acreditam que ela possibilita o 
conhecimento humano.

O Racionalismo & Descartes

Racionalismo é o primado da Razão, das ideias inatas, que não procedem da experiência, mas antes são património originário da razão, fonte de poder bem julgar, da distinção do verdadeiro e do falso, do Homem e dos animais, universal, funções teóricas que servem uma função prático-moral – instrumento de conhecimento e de acção.
Platão é o percursor do Racionalismo, mas é mais tarde Descartes quem o sistematiza na Era Moderna.
Primeiramente, entenda-se o conhecimento como uma crença verdadeira e justificada.
Descartes rejeita o testemunho dos sentidos, que são falaciosos, mas não totalmente, e há juízos seus que não se podem negar, e todavia esses mesmos juízos podem derivar de sonhos ou ilusões. Nesta amálgama, existe o pensamento racional, que é a verdadeira indubitável fonte de conhecimento. E o próprio ser pensante é a primeira verdade que Descartes encontra como certa. Para Descartes, a base do conhecimento é a Dúvida Metódica, dúvida decorrente de uma amálgama de novidades científicas e culturais do seu tempo, como a questão sobre a própria natureza do universo (geocêntrico ou heliocêntrico?). Descartes concebia a existência de umaMathesis Universalis, uma ciência geral da ordem e medida, do bom funcionamento da razão, do entendimento humano, metódica.
O Racionalismo, apesar de impulsionado pelo pensamento grego, deixa de legar a importância de antes dos Silogismos, que para Descartes são apenas bons para educar e não para descobrir. Para tal recorria-se um Método, um instrumento científico de aplicação da razão em busca da Verdade. Disto derivam o Ideal Cartesiano (uma só razão, um só método, um só saber) e a sua mais conhecida obra, “O Discurso do Método“.
Descartes entende os saberes hierarquizados deste modos:
  1. Razão, a Metafísica, a Filosofia primeira, as Ideias Inatas, raiz do conhecimento
  2. Física, a Ciência do Mundo, Filosofia decorrente da primeira
  3. Os Saberes Aplicados – Medicina, Mecânica, Moral
Três grandes formas de saber predominam em Descartes:
  1. As Ideias Inatas são sementes de verdade prévias, irrefutáveis.
  2. Razão é a procura duma cadeia de razões consequentes das Ideias Inatas – contém duas operações intelectuais: a indução, “Luz natural da razão”, com evidência das ideias inatas; e a dedução, operação que parte das ideias inatas conhecidas para conclusões matemáticas desconhecidas.
  3. Conhecimento Seguro, universalmente válido, objectivo, logicamente necessário.
E, todo o saber, para Descartes, tem de advir d’O Método:
  1. Regra da Evidência – ideias claras e distintas, que são a Intuição
  2. Regra da Análise/Divisão – decompor um problema complexo nos seus elementos mais simples
  3. Regra da Síntese e Ordem – reconstituir o todo começando pelas partes mais simples e mais elementares seguindo uma ordem
  4. Regra da Enumeração – rectificação final, Indução, ter a certeza de nada haver omitido
exercício sistemático da Dúvida Metódica é o fundamento do Método Cartesiano. Desta Dúvida máxima, Descartes pode apenas concluir o seu famoso mote: Cogito ergo sum, Penso logo existo. E deste primeiro princípio verdadeiro, real, Descartes prova também a existência deDeus e do Mundo.
Estes quatro elementos compõem o seu Itinerário Filosófico:
  1. Dúvida Metódica, que Descartes radicaliza, torna hiperbólica, estende a tudo. As ideias, os pensamentos, são o que existe, e são modos do “eu”, do “cogito” – estas têm estatuto lógico, logo, como modos do “eu”, são iguais; e, ainda, estatuto ontológico, por que elas variam.
  2. 1ª Verdade/Certeza – “Cogito ergo sum”, intuição, união de duas ideias inatas, pensamento e existência, momento idealista, solipsista.
  3. 2ª Verdade/Certeza – Deus existe como garantia de toda a verdade e toda a existência
  4. 3ªVerdade/Certeza – Mundo existe como extensão geométrica
As Ideias subdividem-se, segundo Descartes, em:
  • Adventícias – provêm do mundo exterior, de objectos sensíveis, e, para Descartes, são confusas e obscuras;
  • Factícias – provenientes da realidade exterior, e compostas pela imaginação, ideias deturpadas, igualmente obscuras; tratam-se de más construções de imagens externas;
  • Inatas – ideias provenientes da Razão, do Intelecto, “naturezas simples” conhecidas através da intuição, certas e evidentes, que nos conduzem à verdade, ao saber.
Das Ideias Inatas, parte a origem das demonstrações, deduções da existência de Deus, para que Descartes apresenta 3 provas. Deus, existindo, portanto, é a garantia do Mundo Físico, a Res Extensa, espaço tridimensional geométrico, extensão de movimento e realidade mecânica sujeita a leis constantes criadas por Deus. Deus é também a solução ao problema gnoseológico da necessidade duma confirmação do conhecimento contra o cepticismo.
Descartes assume, à imagem do platonismo, a existência de uma alma imortal – não é o único racionalista tentado à enunciação de dogmas na sua teoria, já que os racionalistas acham a razão, e os entendimentos dogmáticos que fazem dela, como única via para alcançar o conhecimento.

Fonte: http://sataridis.wordpress.com/2010/02/21/o-racionalismo-descartes/

Um comentário:

  1. Descartes afirma que a realidade exterior pode ser conhecida através da razão. As propriedades quantitativas são evidentes para a razão, as propriedades qualitativas são evidentes para os sentidos. Descartes fala da existência das substâncias, como a já citada alma e a extensão, ou matéria. A matéria ocupa lugar no espaço e pode ser decomposta em partes menores. Existe só um tipo de matéria no universo. O universo é composto de matéria em movimento. Não existe o espaço vazio, ou o vácuo dos atomistas. Visando a análise científica racional, Descartes chega à conclusão que os animais e os corpos humanos são autômatos, como máquinas semelhantes ao relógio. Na quinta parte do Discurso do Método, ele faz uma descrição fisiológica, o corpo é uma máquina de terra, construído por Deus, e suas funções dependem das funções dos orgãos. A alma está ligada ao corpo por uma glândula cerebral, onde ocorre a interação entre espírito e matéria. Na teoria mecanicista de Descartes, o corpo é uma máquina e deve entregar o controle das ações para alma. E Descartes afirma que a soma de todos os ângulos de um triângulo sempre será igual à dois retos. Essa frase foi tomada por Spinoza, a quem Descartes influenciou, e significa uma verdade, independente dos vai-e vem das opiniões baseadas nos sentidos.

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