segunda-feira, 14 de maio de 2012

alegoria_caverna
Teoria dos dois mundos” defendida por Platão
Platão criou a teoria do mundo sensível e mundo inteligível através de suas observações percebeu que algunsfenômenos estavam em constantes mudanças, e havia algo que nunca se modificava.  Para ele, tudo que podemos tocar e sentir está em constantes mudanças, desintegre e está sujeito à corrosão do tempo. Ao mesmo tempo, tudo é formado a partir de uma forma eterna e imutável.
Para exemplificar a visão de Platão, considere um conjunto de cadeiras. Apesar delas não serem exatamente iguais, existe algo que é comum a todos as cadeiras; algo que garante que nós jamais teremos problemas para reconhecer uma cadeira. Naturalmente, um exemplar isolado de cadeira, essa sim "flui", "passa". Ela envelhece fica defeituosa, depois acaba. Mas a verdadeira forma de cadeira é eterna e imutável.
Platão conclui que há semelhança entre todos os fenômenos da natureza de que "por cima" ou "por trás" de tudo o que vemos à nossa volta há uma idéia limitada que representa e dá a forma. Pois o que faz com que uma cadeira seja uma cadeira, não é o seu formato, não é a quantidade de pernas e nem tão pouco seu material do qual é fabricado, mas sim a idéia que nós temos da cadeira, essa é universal, nela estão as "imagens padrão", as imagens primordiais, eternas e imutáveis, que encontramos em todas as cadeiras. Esta concepção é chamada por nós de a Teoria das Idéias de Platão.
Em resumo, para Platão a realidade se dividia em duas partes. A primeira parte é o mundo dos sentidos, do qual não podemos ter senão um conhecimento aproximado ou imperfeito, já que fazemos uso de nossos sentidos. Neste mundo dos sentidos, tudo "flui" as coisas simplesmente surgem e desaparecem. A outra parte é o mundo das idéias, do qual podemos chegar a ter um conhecimento seguro, se para tanto fizermos uso de nossa razão. Este mundo das idéias não pode ser conhecido através dos sentidos. Em compensação, as idéias (ou formas) são eternas, imutáveis e reais.


Método “Pedagogizador” e a prática educacional 


Na análise de Foucault sobre a sociedade, ele identifica diferentes dispositivos de controle e regulação existentes, entre os quais inclui a escola. Chama a atenção para a tensão que se estabelece entre a busca de regulação da linguagem pela escola, que pode ser chamada "tentativa de pedagogização"- ensinar a ler o certo e o errado, usar melhores e mais bem aceitas formas de expressão- e, a própria condição de linguagem, que é estar sempre em constante movimento de incorporação de novas formas de expressão e de organização.
O estilo pedagogizador instrui e reproduz conhecimento no aluno, aplicando técnicas e tratando-o como objeto a ser conhecido e treinado para as exigências do mercado e este é o papel da escola na sociedade disciplinar (Foucault). Já o modelo intersubjetividade conduz o aluno para a educação, constrói subjetividades emancipadas, criativas e autônomas que é um “modelo educacional” (fala Habermas), onde educar é produzir sujeitos capazes de linguagem e de ação, para atender às demandas da sociedade, da modernidade.É preciso vivenciar a proposta da teoria da Ação Comunicativa, para que a escola se torne o lugar de exercitar a intersubjetividade entre aluno, professor, escola, família e comunidade, para que se discuta o rumo da sociedade contemporânea complexa.Dessa forma acredita-se que uma educação, fundada na prática pedagógica associada à teoria da Ação Comunicativa irá contribuir no pensar crítico, para que venha a existir sujeitos emancipados, sensíveis e éticos.Habermas teve e tem grande participação na educação com sua visão a respeito da educação, mesmo sem ter elaborado uma Filosofia da Educação, pois seus conhecimentos sobre a linguagem e ética abrem perspectivas para a educação contemporânea, onde o sujeito é dotado de competência capaz de questionar as normas que vigora a sociedade.A educação tem como objetivo contribuir para uma interpretação e análise crítica dos fenômenos culturais do dia-a-dia do aluno, assim levando-os a uma prática de saber construtivo à sua vida, à sua formação como um ser pensante. Com isso a Filosofia entra com um papel crítico e cultural de uma reconstrução permanente da realidade.


Fonte: JARDIM, Alex Fabiano Correa & BORGES, Ângela Christina & FREITAS, Gildete dos Santos et al. Filosofia da Educação.



O criticismo kantiano.
Embora no chamado período pré-critico, entre 1755 e 1770, Kant tenha comungado com o racionalismo, tentando reestruturar a metafísica metodicamente, em uma tentativa de revesti-la de uma roupagem cientifica.
Após se tornar professor titular, com a defesa da Dissertação de 1770, Kant atingiu a maturidade intelectual, superando o dogmatismo e iniciando uma nova fase que daria origem ao chamado criticismo.
Contemporâneo da Revolução Francesa e Industrial, em um momento que os filósofos se encontravam divididos entre o racionalismo francês e o empirismo inglês, Kant propôs um terceiro caminho, criticando as duas tendências.
A postura criticista propunha a investigação dos fundamentos do conhecimento, repensando a filosofia para perguntar pela fonte do conhecimento, analisando o dogmatismo racionalista e o ceticismo empirista.
Em certo sentido, o criticismo kantiano se insere no iluminismo, mas termina indo além, pois pretende demonstrar que: “não se pode aprender a filosofia, somente se pode aprender a filosofar”.
É intenção do criticismo reconstruir a filosofia como uma ciência racional que pudesse abordar todo o conhecimento humano.

Respondendo quatro questões básicas:
1. O que é possível saber?
2. O que devemos fazer?
3. O que devemos esperar?
4. O que é um ser humano ou o que somos nós?

Assim, embora muitas vezes classificado como iluminista, Kant pretendeu o inverso dos filósofos ilustrados.
Ao invés de subdividir a filosofia, tencionou fortalecer seu caráter totalizante como ciência primeira ou ciência geral e completa.
O que levou Kant a ir muito além da Teoria do Conhecimento, entrando em discussões também pertinentes a ética e a moral, entre outras temáticas.


A crítica da razão pura.
Os racionalistas haviam criado uma base de sustentação sólida para o conhecimento, fornecendo um método seguro para auxiliar na construção do saber.
Porém, a garantia do Cogito era sustentada pela metafísica, por idéias inatas e universais.

O que, na opinião de Kant, sob o olhar empirista, não pode ser comprovado pela experiência.

Por outro lado, o empirismo se quer fornecia uma base para a construção do conhecimento, caindo em um individualismo relativista e no ceticismo, inviabilizando qualquer segurança ao conhecer.
A solução, portanto, estaria em examinar a razão através da própria razão, reescrevendo sua base de sustentação.
Em primeiro lugar caberia demonstrar que é possível chegar a conhecimentos universais.
O que implicaria em questionar a origem do conhecer para além da experiência e, ao mesmo tempo, fugindo do inatismo.
Para Kant, um juízo, a relação entre conceitos pensados, decorre a partir de matéria e forma.
A matéria é composta pelas próprias coisas, é o objeto em si, percebido pelo juízo analítico ou a priori, independente da experiência, embora apreendido pelos sentidos, originando uma idéia universal.
Todo corpo é físico, independente do formato, o predicado do corpo é ser físico, concreto, palpável, transmitindo em si esta idéia universal captada pelos sentidos.
A forma encontra-se naquele que conhece, nas sensações do próprio sujeito que organiza a matéria no tempo e espaço.
Portanto, a forma é representação da matéria na mente de quem percebe, o que altera o objeto real, originando juízos sintéticos ou a posteriori.
Um exemplo é o fato do corpo ter peso, o que é conferido pela matéria, mas o quanto é pesado depende da forma, levando o sujeito a perceber o peso e compor um conceito particular e relativo à sua percepção que é o juízo sintético.
Neste sentido, o conhecimento é a relação do sujeito com o objeto.
Não podemos conhecer as coisas em si, mas aquilo que é permitido pela mente humana, constituindo conceitos universais.
Em certo sentido, ao fazer isto, conheço o que não é apenas para mim, mas para todos os seres humanos, ou seja, idéias universais, embora não inatas.
Assim, os sentidos percebem o mundo, mas é a razão que organiza o conhecimento.
Segundo Kant, o engano dos racionalistas foi afirmar que as idéias são inatas, já que na realidade dependem dos sentidos.
Entretanto, o engano dos empiristas foi supor que a razão é adquirida pela experiência, pois ela existe independe de vivenciar um fato, é uma síntese que é transmitida independentemente das experiências pessoais.
O conhecimento pode ser adquirido através da experiência de um sujeito que o transmite a outro que não necessariamente necessita viver a mesma experiência, embora quem apreende precise sempre recorrer aos sentidos para adquirir novos conhecimentos.
Neste ponto, Kant se depara com uma dificuldade insolúvel, uma vez que as questões metafísicas, tais como a existência de Deus, não podem ser conhecidas através dos sentidos.
A solução provisória é afirmar que estes conhecimentos metafísicos caem no Agnosticismo (a=não + gnosis=conhecimento), demarcando a impossibilidade de conhecer.
Em síntese, seriam possíveis apenas juízos a priori sobre a metafísica, sendo impossível balizar juízos sintéticos e, portanto, pensar na temática como uma ciência, constituindo apenas crenças.
Um problema que Kant iria procurar resolver na Critica da razão prática, chegando a uma solução muito parecida com a cartesiana, afirmando que para as questões metafísicas seria possível a existência de conceitos inatos.


Concluindo.
Estabelecida a razão como centro do conhecimento, Kant procurou demonstrar que é a necessidade prática que determina a vontade humana e não os sentidos.
Simultaneamente, afastou a pretensão da razão como condicionadora da ação moral.
Não seria a razão que determina a moral, o que é considerado bom ou mau, mas a necessidade coletiva que determina a moral e a racionalização do que é bom.
As necessidades práticas para a existência da vida em sociedade criam os chamados imperativos, prescrições, deveres que determinam a ação a priori, antes da experiência.
Em outras palavras, os imperativos determinariam como agir, antes de ter que decidir ou viver a situação, tornam o agir uma obrigação.

Segundo Kant, os imperativos seriam:
1. Hipotéticos: condicionando uma ação a algum fim, tal como no exemplo “estude para passar na prova”.
2. Categóricos: incondicional e absoluto, tomado como essencial para a existência da vida coletiva, tal como no exemplo “não matarás”.

Neste sentido, os imperativos terminam determinando as leis, ratificando o dever e o próprio conceito de liberdade, já que a minha liberdade é restringida pelos imperativos.


Para saber mais sobre o assunto.
DELEUZE, Gilles. Para ler Kant. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.
FIGUEIREDO, Vinicius de. Kant e a critica da razão pura. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.
Doutor em História Social pela FFLCH/USP.
Bacharel e Licenciado em Filosofia pela USP.


Empirismo

 


O iniciador do empirismo é Francis Bacon. Enalteceu ele a experiência e o método dedutivo de tal modo, que o transcendente e a razão acabam por desaparecer na sombra. Falta-lhe, no entanto, a consciência crítica do empirismo, que foram aos poucos conquistando os seus sucessores e discípulos até Hume. Ademais, Bacon continua afirmando - mais ou menos logicamente - o mundo transcendente e cristão; antes, continua a considerar a filosofia como esclarecedora da essência da realidade, das formas, sustentáculo e causa dos fenômenos sensíveis. É uma posição filosófica que apela para a metafísica tradicional, grega e escolástica, aristotélica e tomista. Entretanto, acontece em Bacon o que aconteceu a muitos pensadores da Renascença, e o que acontecerá a muitos outros pensadores do empirismo e do racionalismo: isto é, a metafísica tradicional persiste neles todos histórica e praticamente ao lado da nova filosofia, tanto mais quanto esta é menos elaborada, acabada e consciente de si mesma.

Leia mais: http://www.mundodosfilosofos.com.br/bacon.htm#ixzz1urCz3Fr1






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Para Locke quando nascemos somos como uma folha em branco

O empirismo é a escola do pensamento filosófico relacionada à teoria do conhecimento, que pensa estar na experiência a origem de todas as ideias. O nome empirismo vem do latim: empiria (experiência) e -ismo (sufixo que determina, entre outras coisas, uma corrente filosófica). Temos, assim, a “corrente filosófica da experiência”.
Ao longo de toda a história da filosofia, diversos pensadores abordaram a questão, dando importância ao conhecimento da experiência (da sensibilidade) ao invés de apenas ao intelectual. Entretanto, o principal defensor do empirismo foi John Locke (1632-1704), filósofo inglês. O empirismo defendido ficou conhecido como empirismo britânico, e influenciou diversos filósofos.
Locke defendeu que a experiência forma as ideias em nossa mente, no seu livro Ensaio acerca do entendimento humano, de 1690. Na introdução, ele escreve que “só a experiência preenche o espírito com ideias”. Para argumentar a favor, Locke critica o conceito de que já existem ideias em nossa mente (ideias inatas). Ele procura demonstrar que qualquer ideia que temos não nasce conosco, mas se inicia na experiência.
A experiência, para Locke, não são as experiências de vida. Experiência para ele são as nossas sensações (sentidos). Ouvimos, enxergamos, tocamos, saboreamos e cheiramos. Cada um dos cinco sentidos leva informações para o nosso cérebro. Quando nascemos não sabemos o que é uma maçã, mas formamos a ideia de maçã a partir dos sentidos. Vemos a sua cor, sentimos o seu aroma, tocamos sua casca e mordemos a fruta. Cada uma dessas sensações simples nos faz ter a ideia de maçã. A partir da sensação, há a reflexão. Dessa forma, nossas ideias são um reflexo daquilo que nossos sentidos perceberam do mundo.
Com essa constatação, Locke afirma que, ao nascermos, somos como uma folha em branco. São, então, os sentidos responsáveis pelo preenchimento dessa folha.
Para confirmar sua teoria, o filósofo inglês antecipa futuras críticas. Entre as possibilidades de crítica, existe o argumento de que somos capazes de ter ideias de coisas que nunca foram percebidas pelos nossos sentidos. Locke argumenta contra este tipo de crítica, pois mesmo ideias de seres mitológicos como sereias, unicórnios e faunos são apenas junções de ideias que já tivemos anteriormente. Uma sereia é a união da ideia de mulher e peixe. Um unicórnio é a união da ideia de cavalo com a de chifre. Um fauno é a mistura de homem com bode. Não há nada nessas ideias que não tenha sido conhecida previamente. Até mesmo a ideia recente de alienígenas nada mais é do que a ideia de um homem deformado (com cabeça e olhos maiores, corpo pequeno etc.)
Depois de Locke, o empirismo britânico conheceu a reformulação feita pelo irlandês George Berkeley (1685-1753). Para ele, o que conhecemos do mundo não é realmente o que o mundo é. O mundo não é o que percebemos dele. Podemos perceber o mundo através dos sentidos, mas não conhecê-lo de verdade.
Mais radical do que o empirismo de Berkeley está o que pensou David Hume (1711-1776), natural de Edimburgo, Escócia. De acordo com Hume, só existe o que percebemos. Todas as relações que fazemos entre o que conhecemos não são conhecimentos verdadeiros. Podemos conhecer uma bola e podemos conhecer um pé, porém se chutamos uma bola não há nada que confirme que a bola se move porque foi o pé que a moveu. Com isto, Hume critica as ciências, pois trabalham com a ideia de causa e efeito. Essa relação de causalidade (causa-efeito) é uma relação entre ideias e é, portanto, não verdadeira. Tudo o que pensamos ser verdadeiro, como a causa do movimento da bola, é imaginação.
Se o que sabemos vem da experiência e a experiência apenas nos informa um pouco sobre como o mundo é, precisamos, de acordo com o empirismo, estar atentos e críticos às falsas ideias que não podem ser verificadas pelos sentidos.
Fonte: Filipe Rangel Celeti
Colaborador Mundo Educação
Bacharel em Filosofia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - SP
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - SP

O Empirismo - David Hume

David Hume considera que todo o conhecimento tem origem na experiência, sendo os dados ou impressões sensíveis as suas unidades básicas. Hume defende que existem impressões e ideias que se distinguem quanto ao grau de força e vivacidade. Assim, as impressões são percepções vivas e mais fortes do que as ideias que são percepções fracas ou menos vivas.
Hume, como empirista, rejeita a existência das ideias inatas porque as ideias sucedem-se às impressões. “As impressões são as causas das nossas ideias e não as nossas ideias das nossas impressões”.
Todas as nossas ideias derivam de uma impressão sensível. A toda e qualquer ideia tem de corresponder uma impressão porque as ideias são imagens/cópias das impressões. Neste sentido, o critério de verdade das ideias consiste na sua correspondência a uma impressão. É falsa a ideia que não tenha qualquer impressão que lhe corresponda, disso são exemplo as ideias de “sereia” e “unicórnio”. Do que não há impressão sensível não há conhecimento (conhecimento de factos).
David Hume distingue dois modos ou tipos do conhecimento:
  • Conhecimento de Ideias – proposições cuja verdade pode ser conhecida por simples análise lógica do significado das ideias que as compõem. A verdade das proposições que consistem em relações entre ideias é independente da experiência: são verdadeiras ou falsas a priori, embora todas as ideias tenham o seu fundamento nas impressões, podemos conhecer sem necessidade de recorrer às impressões, isto é, ao confronto com a experiência. Ex.: “O triângulo tem 3 lados”.
  • Conhecimento de Factos – proposições cuja verdade só pode ser conhecida mediante a experiência, isto é, temos de observar o mundo dos factos para verificar se elas são verdadeiras ou falsas, isto é, a sua verdade ou falsidade só pode ser determinada a posteriori. Ex.: “Esta rosa é vermelha”.
O Problema da Causalidade
Porque observarmos que o evento (A) tem sido sempre, até ao presente, sucedido pelo evento (B), acreditamos que da próxima vez que ocorrer (A) sucederá (B).
Desta forma inferimos uma relação necessária entre causa e efeito pelo facto de nos termos habituado a constatar uma relação constante entre factos semelhantes ou sucessivos. É apenas o hábito ou costume que nos permite sair daquilo que está imediatamente presente na experiência em direcção ao futuro.
A ideia de relação causal, de uma conexão necessária entre dois fenómenos (“sempre foi assim, sempre será assim”), é uma ideia da qual não temos qualquer impressão sensível. Como o critério de verdade de um conhecimento factual é que a uma ideia corresponda uma impressão sensível, não temos legitimidade para falar de uma relação causal entre dados da nossa experiência.
O princípio de causalidade, considerado um princípio racional e objectivo, nada mais é do que uma crença subjectiva, o produto de um hábito, o desejo de transformação de uma expectativa em realidade.

Cepticismo Moderado
David Hume é considerado um céptico moderado porque defende que o conhecimento dos factos – presentes e passados – é possível. Quando afirma que não possuímos nenhuma faculdade que nos permita conhecer factos futuros defende que a nossa razão é incapaz de formular leis da natureza de que é exemplo a “lei de causalidade”.





DESCARTES (1596-1650)
-Sendo um racionalista convicto, Descartes procurou combater os cépticos e reabilitar a razão.
-Os cépticos duvidavam ou negavam mesmo que a razão pudesse conduzir ao conhecimento.
-Descartes vai procurar demonstrar que a razão é a origem do conhecimento humano.



O RACIONALISMO
-O Racionalismo é uma corrente que defende que a origem do conhecimento é a razão.
-Os racionalistas acreditam que só a razão pode levar a um conhecimento rigoroso.
-Os racionalistas desvalorizam os sentidos e a experiência devido à sua falta de rigor.
-Os racionalistas possuem uma visão optimista da razão porque acreditam que ela possibilita o 
conhecimento humano.

O Racionalismo & Descartes

Racionalismo é o primado da Razão, das ideias inatas, que não procedem da experiência, mas antes são património originário da razão, fonte de poder bem julgar, da distinção do verdadeiro e do falso, do Homem e dos animais, universal, funções teóricas que servem uma função prático-moral – instrumento de conhecimento e de acção.
Platão é o percursor do Racionalismo, mas é mais tarde Descartes quem o sistematiza na Era Moderna.
Primeiramente, entenda-se o conhecimento como uma crença verdadeira e justificada.
Descartes rejeita o testemunho dos sentidos, que são falaciosos, mas não totalmente, e há juízos seus que não se podem negar, e todavia esses mesmos juízos podem derivar de sonhos ou ilusões. Nesta amálgama, existe o pensamento racional, que é a verdadeira indubitável fonte de conhecimento. E o próprio ser pensante é a primeira verdade que Descartes encontra como certa. Para Descartes, a base do conhecimento é a Dúvida Metódica, dúvida decorrente de uma amálgama de novidades científicas e culturais do seu tempo, como a questão sobre a própria natureza do universo (geocêntrico ou heliocêntrico?). Descartes concebia a existência de umaMathesis Universalis, uma ciência geral da ordem e medida, do bom funcionamento da razão, do entendimento humano, metódica.
O Racionalismo, apesar de impulsionado pelo pensamento grego, deixa de legar a importância de antes dos Silogismos, que para Descartes são apenas bons para educar e não para descobrir. Para tal recorria-se um Método, um instrumento científico de aplicação da razão em busca da Verdade. Disto derivam o Ideal Cartesiano (uma só razão, um só método, um só saber) e a sua mais conhecida obra, “O Discurso do Método“.
Descartes entende os saberes hierarquizados deste modos:
  1. Razão, a Metafísica, a Filosofia primeira, as Ideias Inatas, raiz do conhecimento
  2. Física, a Ciência do Mundo, Filosofia decorrente da primeira
  3. Os Saberes Aplicados – Medicina, Mecânica, Moral
Três grandes formas de saber predominam em Descartes:
  1. As Ideias Inatas são sementes de verdade prévias, irrefutáveis.
  2. Razão é a procura duma cadeia de razões consequentes das Ideias Inatas – contém duas operações intelectuais: a indução, “Luz natural da razão”, com evidência das ideias inatas; e a dedução, operação que parte das ideias inatas conhecidas para conclusões matemáticas desconhecidas.
  3. Conhecimento Seguro, universalmente válido, objectivo, logicamente necessário.
E, todo o saber, para Descartes, tem de advir d’O Método:
  1. Regra da Evidência – ideias claras e distintas, que são a Intuição
  2. Regra da Análise/Divisão – decompor um problema complexo nos seus elementos mais simples
  3. Regra da Síntese e Ordem – reconstituir o todo começando pelas partes mais simples e mais elementares seguindo uma ordem
  4. Regra da Enumeração – rectificação final, Indução, ter a certeza de nada haver omitido
exercício sistemático da Dúvida Metódica é o fundamento do Método Cartesiano. Desta Dúvida máxima, Descartes pode apenas concluir o seu famoso mote: Cogito ergo sum, Penso logo existo. E deste primeiro princípio verdadeiro, real, Descartes prova também a existência deDeus e do Mundo.
Estes quatro elementos compõem o seu Itinerário Filosófico:
  1. Dúvida Metódica, que Descartes radicaliza, torna hiperbólica, estende a tudo. As ideias, os pensamentos, são o que existe, e são modos do “eu”, do “cogito” – estas têm estatuto lógico, logo, como modos do “eu”, são iguais; e, ainda, estatuto ontológico, por que elas variam.
  2. 1ª Verdade/Certeza – “Cogito ergo sum”, intuição, união de duas ideias inatas, pensamento e existência, momento idealista, solipsista.
  3. 2ª Verdade/Certeza – Deus existe como garantia de toda a verdade e toda a existência
  4. 3ªVerdade/Certeza – Mundo existe como extensão geométrica
As Ideias subdividem-se, segundo Descartes, em:
  • Adventícias – provêm do mundo exterior, de objectos sensíveis, e, para Descartes, são confusas e obscuras;
  • Factícias – provenientes da realidade exterior, e compostas pela imaginação, ideias deturpadas, igualmente obscuras; tratam-se de más construções de imagens externas;
  • Inatas – ideias provenientes da Razão, do Intelecto, “naturezas simples” conhecidas através da intuição, certas e evidentes, que nos conduzem à verdade, ao saber.
Das Ideias Inatas, parte a origem das demonstrações, deduções da existência de Deus, para que Descartes apresenta 3 provas. Deus, existindo, portanto, é a garantia do Mundo Físico, a Res Extensa, espaço tridimensional geométrico, extensão de movimento e realidade mecânica sujeita a leis constantes criadas por Deus. Deus é também a solução ao problema gnoseológico da necessidade duma confirmação do conhecimento contra o cepticismo.
Descartes assume, à imagem do platonismo, a existência de uma alma imortal – não é o único racionalista tentado à enunciação de dogmas na sua teoria, já que os racionalistas acham a razão, e os entendimentos dogmáticos que fazem dela, como única via para alcançar o conhecimento.

Fonte: http://sataridis.wordpress.com/2010/02/21/o-racionalismo-descartes/